Aula 22 de maio
CULTURA POPULAR, AUDIÊNCIAS E MÍDIA RADICAL
Aula 29 de maio
PODER, HEGEMONIA E RESISTÊNCIA
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Fui-me embora, por Vanessa Macedo
Em menos de seis horas percorri o primeiro caminho para chegar até aqui. Entre as nuvens mal senti os 2935 quilômetros de distância entre São Paulo e Belém do Pará (sim, eu chequei no Google). Na verdade foi tudo tão rápido que nem deu pra sentir muita coisa. “Mãe, passei.” “Compra já a tua passagem enquanto eu arrumo tua bagagem”. Em tempo recorde as malas estavam prontas, dentro delas roupas dobradas e lembranças amarrotadas de um passado de 23 anos.
O kit vida nova veio completo, inclusive com um pacote novo de preocupações. É, porque sempre tem algo incomodando o ser humano, o que mudam são os objetos da insatisfação. As velhas expectativas profissionais, acadêmicas e pessoais triplicaram. Justiça com as proporções da nova cidade.
Fator agravante é aquela palavrinha que inexplicavelmente não tem correspondente em outro idioma. Saudade. Da família, do namorado, do almoço pronto na hora, de andar na cidade sem precisar pedir informação e consequentemente não se perder ao descobrir que foi enganada por um cobrador de ônibus.
Saí da pacatacaótica Belém para a caóticalíquidapósmoderna São Paulo. Sinto-me no olho do furacão, rodeada por todas as oportunidades e problemas que um lugar pode oferecer. Como disse nossa colega Lígia – amiga transportada do jardim de infância diretamente para a megalópole-, é hora de desafios. Na minha assustadora e fascinante Pasárgada, onde a existência é aventura.
O kit vida nova veio completo, inclusive com um pacote novo de preocupações. É, porque sempre tem algo incomodando o ser humano, o que mudam são os objetos da insatisfação. As velhas expectativas profissionais, acadêmicas e pessoais triplicaram. Justiça com as proporções da nova cidade.
Fator agravante é aquela palavrinha que inexplicavelmente não tem correspondente em outro idioma. Saudade. Da família, do namorado, do almoço pronto na hora, de andar na cidade sem precisar pedir informação e consequentemente não se perder ao descobrir que foi enganada por um cobrador de ônibus.
Saí da pacatacaótica Belém para a caóticalíquidapósmoderna São Paulo. Sinto-me no olho do furacão, rodeada por todas as oportunidades e problemas que um lugar pode oferecer. Como disse nossa colega Lígia – amiga transportada do jardim de infância diretamente para a megalópole-, é hora de desafios. Na minha assustadora e fascinante Pasárgada, onde a existência é aventura.
Uma andarilha paraense, por Lígia Bernar
Gosto de desafios. Desafio, no sentido de não ter medo de arriscar, de inovar, de começar uma nova vida. E isso acontece comigo, sempre que não me sinto parte de algo, quando não estou mais satisfeita com o rumo que a minha vida está tomando. E foi pensando nisso, que resolvi, largar trabalho, amigos e família para tentar uma nova vida aqui na cidade grande, essa megalópole que assusta e encanta ao mesmo tempo.
Sou de Belém do Pará, nascida e criada às margens do rio Guamá. Para muitos, quando falo que sou de Belém, (minhas conterrâneas e colegas de classe, podem concordar ou discordar), as pessoas se espantam, “Nossa, é longe né?” Me sinto quase, uma extraterreste recém chegada à Terra. Mas como todo bom paraense e já sabemos do desconhecimento da maioria das pessoas sobre como é a região Norte do país, até porque os governantes das bandas de lá não ajudam muito, para que o restante do país saiba que existimos. E respondo, “Sim, sou de lá, a terra das mangueiras e do calor infernal”, nunca falo sobre o Calypso, não considero um bom motivo para se orgulhar (gosto é gosto, mas eu prefiro omitir essa informação, se me permitem).
Durante toda minha vida escolar sonhava em prestar vestibular em São Paulo. Tive sempre uma boa relação com a cidade. Meu pai nasceu aqui, em São Paulo. E como apaixonado que é, sempre me contava das lembranças felizes que ele tinha da infância paulistana. E nas férias de dezembro, sempre passávamos aqui. Mas com os percursos da vida, não consegui prestar vestibular em São Paulo. Só realizei meu sonho quando passei na pós e na Usp. Eu queria ter feito meu curso de jornalismo na Usp. Mas do mesmo modo, me sinto muito realizada por estar aqui e estudando na Universidade de São Paulo.
Quando me mudei para cá, não tinha certeza se passaria na pós ou não, porque o resultado ainda não tinha saído. E isso me angustiou tanto. Porque pensava assim, larguei trabalho, amigos, família, para vir para cá, em busca de maior aprimoramento profissional, cultural e pessoal e além de tudo, uma oportunidade de emprego, para ser mais uma no meio da multidão que procura emprego. Tinha que ter pelo menos a segurança de fazer a pós, caso contrário, minha vinda para cá, não teria sentido algum.
E quando veio o resultado, a ansiedade era tanta, que não conseguia abrir o email. Tive que pedir para minha amiga ver. E depois que ela disse que tinha passado, não acreditava e fui ver o meu nome. E quando o vi, escrito direitinho, fiquei aliviada e muito feliz. Pelo menos, a primeira parte do meu desafio estava cumprida.
A segunda parte está se encaminhando. Mas o melhor mesmo, foi ter conhecido cada um de vocês. Ter reencontrado uma amiga que estudou comigo na 4ª série do Ensino Fundamental que há tempos não via. E saber que essa pós Mídia, informação e cultura, será muito mais que um aprendizado acadêmico, o que todos procuramos. E que só a diversidade de pessoas e conteúdos que encontramos na nossa sala já é uma grande aula, uma aula da vida.
Sou de Belém do Pará, nascida e criada às margens do rio Guamá. Para muitos, quando falo que sou de Belém, (minhas conterrâneas e colegas de classe, podem concordar ou discordar), as pessoas se espantam, “Nossa, é longe né?” Me sinto quase, uma extraterreste recém chegada à Terra. Mas como todo bom paraense e já sabemos do desconhecimento da maioria das pessoas sobre como é a região Norte do país, até porque os governantes das bandas de lá não ajudam muito, para que o restante do país saiba que existimos. E respondo, “Sim, sou de lá, a terra das mangueiras e do calor infernal”, nunca falo sobre o Calypso, não considero um bom motivo para se orgulhar (gosto é gosto, mas eu prefiro omitir essa informação, se me permitem).
Durante toda minha vida escolar sonhava em prestar vestibular em São Paulo. Tive sempre uma boa relação com a cidade. Meu pai nasceu aqui, em São Paulo. E como apaixonado que é, sempre me contava das lembranças felizes que ele tinha da infância paulistana. E nas férias de dezembro, sempre passávamos aqui. Mas com os percursos da vida, não consegui prestar vestibular em São Paulo. Só realizei meu sonho quando passei na pós e na Usp. Eu queria ter feito meu curso de jornalismo na Usp. Mas do mesmo modo, me sinto muito realizada por estar aqui e estudando na Universidade de São Paulo.
Quando me mudei para cá, não tinha certeza se passaria na pós ou não, porque o resultado ainda não tinha saído. E isso me angustiou tanto. Porque pensava assim, larguei trabalho, amigos, família, para vir para cá, em busca de maior aprimoramento profissional, cultural e pessoal e além de tudo, uma oportunidade de emprego, para ser mais uma no meio da multidão que procura emprego. Tinha que ter pelo menos a segurança de fazer a pós, caso contrário, minha vinda para cá, não teria sentido algum.
E quando veio o resultado, a ansiedade era tanta, que não conseguia abrir o email. Tive que pedir para minha amiga ver. E depois que ela disse que tinha passado, não acreditava e fui ver o meu nome. E quando o vi, escrito direitinho, fiquei aliviada e muito feliz. Pelo menos, a primeira parte do meu desafio estava cumprida.
A segunda parte está se encaminhando. Mas o melhor mesmo, foi ter conhecido cada um de vocês. Ter reencontrado uma amiga que estudou comigo na 4ª série do Ensino Fundamental que há tempos não via. E saber que essa pós Mídia, informação e cultura, será muito mais que um aprendizado acadêmico, o que todos procuramos. E que só a diversidade de pessoas e conteúdos que encontramos na nossa sala já é uma grande aula, uma aula da vida.
GE - Liberdade de Imprensa - Pedro Martins (colaborações)
Olá, colegas, como estão?
Na última aula, estes que estão copiados na mensagem se reuniram para tentar dar início a estudo (Grupo de Estudo) com o tema liberdade de imprensa. A sugestão veio do próprio professor a partir de comentário sobre possível distorção que a mídia estaria fazendo quando trata da questão. Fora toda uma discussão mais ampla a esse respeito, que caberia perfeitamente no curso que estamos fazendo, no momento atual o Brasil vem protagonizando situações bastante pontuais no âmbito da comunicação vista como peça estratégica para o desenvolvimento do país. Em outras palavras, existe um contexto recente de discussões envolvendo a sociedade civil e o governo em torno do que deve ou não ser feito em termos de política e legislação para aprimorar - ou conservar - as formas variadas de se fazer comunicação social no país.
Acho que o trabalho que pensamos em nos propor a fazer poderia começar deste ponto, que, sintetizadamente, é a Conferência Nacional de Comunicação. Talvez um primeiro passo fosse levantar maior número de informações possíveis sobre o tema, para traçarmos o cenário.
A seguir, destaquei alguns links que também ilustram com propriedade o que estou dizendo (se o link não funcionar, copiem e colem).
Enfim, é essa a primeiríssima contribuição que achei importante dar. Vamos ver se conseguimos fôlego para dar continuidade a ideia.
Abraços!
http://comunicoikos.blogspot.com/2010/02/o-forum-e-midia-midia-para-o-forum.html
http://www.envolverde.com.br/index.php?materia=75113
http://altamiroborges.blogspot.com/2010_01_01_archive.html
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,entidades-de-imprensa-debatem-autorregulamentacao,547295,0.htm
* * *
Resposta Solange Sólon Borges
Caros,
estou com algumas coisas reunidas para dar um embasamento neste primeiro ponto de partida apontado pelo Pedro.
Casualmente haverá aqui na Fiesp, terça-feira, um dia inteiro de debates sobre Liberdade de Imprensa e já me escalei para cobrir o evento. Este é um ponto.
Outro é o texto Liberdade de Imprensa do barbudo Marx. Outro, a Questão da Imprensa de Barbosa Lima Sobrinho, tenho ambos e acho que pode contribuir de alguma maneira.
Da mesma forma, segue um texto sobre controle (social), fora do contexto da imprensa, pra refletir...
Augusto Eduardo de Souza Rossini (mestre em Direito), promotor criminal ao atuar no Júri de Santo Amaro, citou o caso do Jardim Ângela (Zona Sul), onde, em um bairro, foi registrada a média de 38 homicídios em um mês no ano de 1995. “Resolvemos trabalhar em rede, com a educação, pois foi constatado que 2/3 das vítimas tinham altas concentrações de álcool no sangue. Com a Polícia Militar, verificou-se que os crimes ocorriam num raio de cem metros de um bar da região.
Começamos, então, a combater o alcoolismo, inclusive com os bares fechando às 22h. Houve uma redução de 80% dos homicídios em alguns pontos”.
Ele aponta, como um dos problemas contemporâneos a ser enfrentado, a educação e o controle. “Hoje a criança e o adolescente são terceirizados: para a babá, para a escola, para o colégio, para a internet e para o traficante aí ela/ele comete um crime...” e comenta um caso: no tribunal, um dia uma mãe desabafou para o filho, já ladrão e dependente do crack, “mas eu te dei tudo!” e ele respondeu: “você não me deu limite”.
Que tal fazer sugestões respondendo no tópico?
Na última aula, estes que estão copiados na mensagem se reuniram para tentar dar início a estudo (Grupo de Estudo) com o tema liberdade de imprensa. A sugestão veio do próprio professor a partir de comentário sobre possível distorção que a mídia estaria fazendo quando trata da questão. Fora toda uma discussão mais ampla a esse respeito, que caberia perfeitamente no curso que estamos fazendo, no momento atual o Brasil vem protagonizando situações bastante pontuais no âmbito da comunicação vista como peça estratégica para o desenvolvimento do país. Em outras palavras, existe um contexto recente de discussões envolvendo a sociedade civil e o governo em torno do que deve ou não ser feito em termos de política e legislação para aprimorar - ou conservar - as formas variadas de se fazer comunicação social no país.
Acho que o trabalho que pensamos em nos propor a fazer poderia começar deste ponto, que, sintetizadamente, é a Conferência Nacional de Comunicação. Talvez um primeiro passo fosse levantar maior número de informações possíveis sobre o tema, para traçarmos o cenário.
A seguir, destaquei alguns links que também ilustram com propriedade o que estou dizendo (se o link não funcionar, copiem e colem).
Enfim, é essa a primeiríssima contribuição que achei importante dar. Vamos ver se conseguimos fôlego para dar continuidade a ideia.
Abraços!
http://comunicoikos.blogspot.com/2010/02/o-forum-e-midia-midia-para-o-forum.html
http://www.envolverde.com.br/index.php?materia=75113
http://altamiroborges.blogspot.com/2010_01_01_archive.html
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,entidades-de-imprensa-debatem-autorregulamentacao,547295,0.htm
* * *
Resposta Solange Sólon Borges
Caros,
estou com algumas coisas reunidas para dar um embasamento neste primeiro ponto de partida apontado pelo Pedro.
Casualmente haverá aqui na Fiesp, terça-feira, um dia inteiro de debates sobre Liberdade de Imprensa e já me escalei para cobrir o evento. Este é um ponto.
Outro é o texto Liberdade de Imprensa do barbudo Marx. Outro, a Questão da Imprensa de Barbosa Lima Sobrinho, tenho ambos e acho que pode contribuir de alguma maneira.
Da mesma forma, segue um texto sobre controle (social), fora do contexto da imprensa, pra refletir...
Augusto Eduardo de Souza Rossini (mestre em Direito), promotor criminal ao atuar no Júri de Santo Amaro, citou o caso do Jardim Ângela (Zona Sul), onde, em um bairro, foi registrada a média de 38 homicídios em um mês no ano de 1995. “Resolvemos trabalhar em rede, com a educação, pois foi constatado que 2/3 das vítimas tinham altas concentrações de álcool no sangue. Com a Polícia Militar, verificou-se que os crimes ocorriam num raio de cem metros de um bar da região.
Começamos, então, a combater o alcoolismo, inclusive com os bares fechando às 22h. Houve uma redução de 80% dos homicídios em alguns pontos”.
Ele aponta, como um dos problemas contemporâneos a ser enfrentado, a educação e o controle. “Hoje a criança e o adolescente são terceirizados: para a babá, para a escola, para o colégio, para a internet e para o traficante aí ela/ele comete um crime...” e comenta um caso: no tribunal, um dia uma mãe desabafou para o filho, já ladrão e dependente do crack, “mas eu te dei tudo!” e ele respondeu: “você não me deu limite”.
Que tal fazer sugestões respondendo no tópico?
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Midia Radical - Capítulo 2
MÍDIA RADICAL - CAPÍTULO 2: PODER, HEGEMONIA E RESISTÊNCIA
* Gentilmente enviado pelos colegas Regivaldo Alves Queiroz e Carol Baggio.
* Gentilmente enviado pelos colegas Regivaldo Alves Queiroz e Carol Baggio.
Mensagem do professor Silas Nogueira
Caros
Estou gostando muito do blog e do correio eletrônico... Criatividade, sinceridades, amizades e uma certa poesia nas palavras escritas...que bom. Não disse que todos brilham em seus fazeres, pensares e tralhares (talheres tbem, claro)?
Se cultivar, o que é bom nasce, brota e inunda aula, casa, rua, praça, cidade, mundo...
abraço a todos
Silas
Estou gostando muito do blog e do correio eletrônico... Criatividade, sinceridades, amizades e uma certa poesia nas palavras escritas...que bom. Não disse que todos brilham em seus fazeres, pensares e tralhares (talheres tbem, claro)?
Se cultivar, o que é bom nasce, brota e inunda aula, casa, rua, praça, cidade, mundo...
abraço a todos
Silas
"Me ajuda?", por Bárbara Bruna Barbosa
Depois de uma noite mal dormida, acordei cedo no sábado para ir até a Cidade Universitária, em São Paulo, fazer a prova que vai garantir - ou não - minha entrada para uma pós na ECA. Nunca tinha ido para lá de trem e estava tão preocupada em dar mais uma lida nos livros indicados na bibliografia para a redação que fui meio sem pensar, planejar.
Como de costume, estava com pouco dinheiro em casa por causa da mania de só usar cartão. Isso já me deixou em maus lençóis antes, mas desta vez viria a ser pior. Enfim, peguei a bolsa, joguei um clube social dentro dela, a carteira, o celular, um fone de ouvido, os livros, o óculos de sol, o dinheiro da passagem e lá fui eu.
Quando o trem chegou no Brás, onde eu deveria descer, estava tão focada na minha leitura que decidi ir até a estação Vila Madalena para fazer a tal da Ponte Orca. O problema é que não tem Ponte Orca no sábado. E eu nem me liguei disso, óbvio. Quando cheguei na Vila Madalena, passei a catraca e só na rua descobri que não tinha a tal da van. Decidi, então, voltar para a estação Clínicas, onde pegaria um ônibus circular até a USP. E assim o fiz. Nessa, meu dinheiro que estava contado para a passagem - o almoço seria com cartão - foi embora.
Obviamente nem me preocupei, pois tinha certeza que na USP teria banco e era só sacar um pouco mais de money para a volta. A tal Cidade Universitária, como devem saber, é gigantesca e estava um puta calor. Eu estava com uma linda sapatilha prateada da Melissa, ou seja: de plástico. Resultado? Andei que nem loca para achar a sala onde seria a tal prova e ganhei uma bolha no dedinho.
Até aí, OK.
Sai da prova, que era apenas uma dissertação, com a cabeça a mil. Por mais que eu estivesse preparada, prova é sempre prova e deu para dar uma estressada. Nesta hora eu também já estava azul de fome. Para minha alegria, avistei dezenas de bancos e corri para a agência do BB. Comecei a revirar a bolsa e não encontrava o cartão em lugar algum. Não estava na carteira. Nem fiquei muito preocupada, porque logo lembrei que tinha saído na noite anterior sem minha bolsa, apenas com o cartão de crédito dentro da carteira de motorista. Ficou claro: esqueci de voltar a duplinha na minha bolsa e estava ali, em um lugar completamente longe da minha casa, sem um tostão no bolso. Pelo menos eu tinha um clube social.
Tentei manter a calma e achar uma solução. Havia dois caras no banco. Enquanto eu pensava, um foi embora. Comecei a pensar rápido então, antes que o outro também fosse e, num impulso, me aproximei dele com cara de dó e soltei:"desculpa ir te abordando assim, mas acabei de ver que estou sem meu cartão, não sei se perdi ou o quê, e estou sem dinheiro para voltar para casa. Você me ajuda?!"
Ele, meio rindo, meio incrédulo, disse: "Ajudo, espera só eu terminar aqui que te ajudo". Para ser sincera nem reparei se ele tinha cara de maníaco ou algo assim, eu SÓ queria voltar para casa.
Ufa! Estava salva. E não era só isso. Ele terminou o que estava fazendo e perguntou se eu voltaria para a casa de trem. Eu disse que sim, que estava indo para Mogi das Cruzes e ele sorriu surpreso para dizer em seguida: "não acredito. Também estou indo para lá, sou de lá".
E são em momentos como este que eu penso: tem coisas que só acontecem comigo... se eu conto, ninguém acredita!
Como de costume, estava com pouco dinheiro em casa por causa da mania de só usar cartão. Isso já me deixou em maus lençóis antes, mas desta vez viria a ser pior. Enfim, peguei a bolsa, joguei um clube social dentro dela, a carteira, o celular, um fone de ouvido, os livros, o óculos de sol, o dinheiro da passagem e lá fui eu.
Quando o trem chegou no Brás, onde eu deveria descer, estava tão focada na minha leitura que decidi ir até a estação Vila Madalena para fazer a tal da Ponte Orca. O problema é que não tem Ponte Orca no sábado. E eu nem me liguei disso, óbvio. Quando cheguei na Vila Madalena, passei a catraca e só na rua descobri que não tinha a tal da van. Decidi, então, voltar para a estação Clínicas, onde pegaria um ônibus circular até a USP. E assim o fiz. Nessa, meu dinheiro que estava contado para a passagem - o almoço seria com cartão - foi embora.
Obviamente nem me preocupei, pois tinha certeza que na USP teria banco e era só sacar um pouco mais de money para a volta. A tal Cidade Universitária, como devem saber, é gigantesca e estava um puta calor. Eu estava com uma linda sapatilha prateada da Melissa, ou seja: de plástico. Resultado? Andei que nem loca para achar a sala onde seria a tal prova e ganhei uma bolha no dedinho.
Até aí, OK.
Sai da prova, que era apenas uma dissertação, com a cabeça a mil. Por mais que eu estivesse preparada, prova é sempre prova e deu para dar uma estressada. Nesta hora eu também já estava azul de fome. Para minha alegria, avistei dezenas de bancos e corri para a agência do BB. Comecei a revirar a bolsa e não encontrava o cartão em lugar algum. Não estava na carteira. Nem fiquei muito preocupada, porque logo lembrei que tinha saído na noite anterior sem minha bolsa, apenas com o cartão de crédito dentro da carteira de motorista. Ficou claro: esqueci de voltar a duplinha na minha bolsa e estava ali, em um lugar completamente longe da minha casa, sem um tostão no bolso. Pelo menos eu tinha um clube social.
Tentei manter a calma e achar uma solução. Havia dois caras no banco. Enquanto eu pensava, um foi embora. Comecei a pensar rápido então, antes que o outro também fosse e, num impulso, me aproximei dele com cara de dó e soltei:"desculpa ir te abordando assim, mas acabei de ver que estou sem meu cartão, não sei se perdi ou o quê, e estou sem dinheiro para voltar para casa. Você me ajuda?!"
Ele, meio rindo, meio incrédulo, disse: "Ajudo, espera só eu terminar aqui que te ajudo". Para ser sincera nem reparei se ele tinha cara de maníaco ou algo assim, eu SÓ queria voltar para casa.
Ufa! Estava salva. E não era só isso. Ele terminou o que estava fazendo e perguntou se eu voltaria para a casa de trem. Eu disse que sim, que estava indo para Mogi das Cruzes e ele sorriu surpreso para dizer em seguida: "não acredito. Também estou indo para lá, sou de lá".
E são em momentos como este que eu penso: tem coisas que só acontecem comigo... se eu conto, ninguém acredita!
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